Matéria histórica: A Guerra dos 6 dias, o conflito que mudou o Oriente

Olá pessoal. Trago à vocês agora mais um capítulo das nossas matérias históricas. A matéria dessa semana é a Guerra dos 6 dias, como foi decidido em votação. Espero que gostem.

ANTECEDENTES

Nos anos que antecederam a guerra, a situação das tensões na região escalavam de uma forma nunca antes vista, com o aumento no tom das criticas e dos ataques dos líderes árabes nos países vizinhos à Israel, principalmente dos líderes do Egito Gamal Abdel Nasser, e do seu colega da Palestina Yasser Arafat, que faziam fortes discursos defendendo o fim de Israel.

Nasser tinha como objetivo umas união dos países árabes sob o seu controle usando a ideia de uma união internacional contra Israel, que era e ainda é considerado como o maior inimigo dos países árabes.

Entre os anos de 1957 e 1965, as coisas pareciam que ficariam por isso mesmo, com ambos os lados se esforçando para, ao menos, fingir uma paz armada na região, porém tudo isso mudou quando em 1966 o Egito formalizou pactos militares de defesa mútua com a Síria, a Jordânia e o Iraque. Sendo que Egito e Síria estabelecem, ainda em 1966, um pacto de defesa – uma aliança militar que os comprometia reciprocamente em caso de guerra que implicasse um dos dois países.

A Síria desde 1964 vinham disparando com sua artilharia pesada de origem francesa e soviética à partir das Colinas de Golã, esses disparos resultaram em vários soldados israelenses mortos ou feridos, com Israel revidando mas sem conseguir infligir muitas perdas.

Já no ano de 1967, o presidente Nasser mandou que a ONU retirasse cada um de seus soldados, os famosos Capacetes azuis, da Península do Sinai, algo que foi prontamente obedecido pelo Secretário Geral U Thant.

Esses soldados tinham como missão patrulhar a fronteira entre Egito e Israel, evitando assim um conflito, porém com a saída dos mesmos, Nasser determinou a implantação de quase 200 mil soldados e 500 tanques por toda a Península, algo que fez com que Israel começasse à mover as suas tropas também para a fronteira com o Sinai.

As tensões aumentaram ainda mais quando no dia em 22 de maio, Nasser ordenou o fechamento do estreito de Tiran para os navios israelenses e para todos os que tivessem Israel como destino ou origem, interrompendo assim todo o fluxo comercial de Israel pelo mar Vermelho em uma estratégia de asfixia econômica.

Essa estratégia foi inicialmente muito bem sucedida.

Mas antes do bloqueio de Nasser, Israel deu o que foi visto como o primeiro passo para o desencadear da guerra em 7 de abril de 1967, quando Israel lançou um ataque contra posições da artilharia árabe e bases de resistência nas colinas de Golã, bases essas que eram usadas pela artilharia síria para atingir alvos militares israelenses.

Durante a operação seis aviões sírios MIG foram abatidos pelos caças Dassault Mirage III de Israel, que voavam baixo sobre a capital da Síria, Damasco. Esta provocação inflamou as tensões entre os países árabes e Israel.

A União Soviética teria passado, através dos seus serviços secretos, informações ao governo sírio, que alertariam para um ataque em massa do exército de Israel. Embora não existam provas absolutas dessa colaboração russa, tais informações teriam ajudado a empurrar tanto a Síria quanto o Egito para a guerra.

Em resposta a esta ação e ao apoio soviético, o exército israelense foi mobilizado. O Egito, a Síria e a Jordânia declararam estado de emergência em resposta à mobilização israelense.

Três dias depois do bloqueio contra israel começar, os exércitos do Egito moveram-se em massa para as fronteiras com Israel.

Em 30 de maio, a Jordânia juntou-se ao Pacto Egito-Síria, formando assim o Pacto de Defesa Árabe. Durante este período, a imprensa árabe tanto Jornais quando rádios passavam constantemente propaganda contra Israel.

Em 4 de junho de 1967, Israel estava cercado por forças árabes que eram muito mais numerosas do que as suas e o plano de invasão israelense contra o Sinai e Golã parecia condenado ao fracasso. Em uma conversa entre a liderança do Mossad e o premiê israelense, o Mossad afirmou categoricamente: “A guerra é iminente”.

COMEÇA A GUERRA

Ao perceber o ataque iminente da aliança árabe, Israel determinou uma ação militar em gigantesca escala contra as forças egípcias no Sinais, aproveitando uma série de fatores, como o fato de quase toda a defesa aérea do Egito estar desativada no momento do ataque.

Foi então que as 8:45 do dia 5 de junho de 1967, as forças aéreas de Israel lançaram um ataque aéreo contra as forças árabes.

Este ataque aéreo, com o nome de código ‘Moked’, foi desenhado para destruir a Força Aérea do Egito enquanto esta ainda estava no solo. Em apenas três horas, a maioria dos aviões e bases do Egito já estavam destruídas e já ardiam no deserto.

Os caças israelenses operavam de forma continua apenas voltando para se reabastecer de combustível e armamento levando apenas sete minutos para tal.

Neste primeiro dia, os árabes perderam mais de 400 aviões; Israel perdeu 20. Esses ataques aéreos deram a Israel a hipótese de destroçar de forma desigual as forças de defesa árabes. A ideia inicial era somente deixar inoperante a Força aérea egípcia e suas bases, inviabilizando a decolagem de qualquer avião militar, onde obtiveram um grande éxito.

A maioria das 20 aeronaves israelenses abatidas foram atingidas por fogo anti-aéreo, com apenas duas sendo derrubadas por caças egípcios.

Porém, temendo o gigantesco exército egípcio, Israel ordenou um ataque terrestre rápido e em larga-escala para aproveitar o caos instaurado pelos ataques de sua aviação contra o Egito.

Em apenas 1 dia, toda a aviação egípcia estava destruída, e quase todos os seus mais de 200 mil soldados se viram cercados pelo Exército israelense.

Mas Israel cometeu um grave erro, o país judeu estava muito confiante que Síria e Jordânia nada fariam contra Israel, se limitando à apenas condenar o ataque, mas Israel estava muito enganado.

JORDÂNIA ENTRA NA GUERRA

O primeiro-ministro de Israel, Levi Eshkol, confiava na não entrada dos aliados do Egito na guerra, enviou uma mensagem ao rei Hussein da Jordânia: “Não empreenderemos ações contra a Jordânia, a menos que seu país nos ataque”. O premiê acreditava que a Jordânia e a Síria estavam muito surpresos e até assustados com o avassalador ataque israelense para fazerem algo.

Mas na manhã do 2º dia da guerra(6 de Junho de 1967), o presidente Nasser telefonou a Hussein, encorajando-o a lutar. Ele disse a Hussein que o Egito tinha saído vitorioso no combate da manhã – um engano de Nasser que precisava urgentemente da ajuda da Jordânia.

A Jordânia então entrou no conflito, causando inicialmente, muitas baixas nas fileiras de Israel. O ataque jordaniano começou às 11:00 da manhã do dia 6, tropas da Jordânia atacaram Israel a partir de Jerusalém, com morteiros e artilharia.

Com o controle total dos céus, as forças israelenses em terra estavam livres para invadir o Egito e a Jordânia. Por causa disto, os reforços árabes que foram enviados tiveram sérios contratempos, o que permitiu que os israelenses tomassem grande parte da cidade sagrada que estava sob controle dos jordanianos em apenas 24 horas.

No ar a aviação jordaniana havia sido quase que inteiramente destruída, devido principalmente ao estado obsoleto das aeronaves do reino.

No terceiro dia da guerra, 7 de junho, as forças jordanianas foram empurradas para a Cisjordânia, atravessando o rio Jordão. Israel tinha anexada toda a Cisjordânia e Jerusalém, entrando e reunificando a cidade. O Exército real jordaniano se viu em um completo caos frente ao Exército de Israel.

Apesar de ter recuado, o Exército jordaniano foi capaz de causar duras e pesadas perdas nas fileiras de Israel, a ponto de impedir o avanço de Israel contra a Jordânia “legitima”. Israel, inclusive, se viu incapaz de atacar pelo ar a cidade de Amã, capital da Jordânia.

ONU APELA AO CESSAR-FOGO

A Organização das Nações Unidas(ONU), sob pressão americana, inicia apelos e negociações com os países árabes envolvidos já prevendo um super-rearmamento desses países pelos soviéticos, face às perdas havidas, além da possível entrada de mais países muçulmanos nessa guerra, podendo a situação ficar desproporcional e incontrolável.

Conseguiu-se de início um acordo de cessar-fogo entre Israel e a Jordânia que entra em vigor nessa tarde(do dia 7).

ISRAEL REINICIA A OFENSIVA

Após o cessar-fogo, o grande contingente de tropas e tanques de Israel que estavam lutando contra o Exército real jordaniano, foi dirigido contra as forças do Egito no deserto do Sinai e Faixa de Gaza. As Forças de Defesa de Israel atacaram com três divisões de tanques, paraquedistas e infantaria.

Conscientes de que a guerra somente poderia durar poucos dias face aos apelos da ONU, onde era essencial uma vitória rápida e domínio de territórios limítrofes, apesar de poder haver uma reação, os israelenses concentraram todo o seu poder através das linhas egípcias no deserto do Sinai.

Em 8 de junho, os israelenses começam o seu ataque no deserto do Sinai e, sob a liderança do general Ariel Sharon, empurraram as caóticas tropas egípcias para o canal do Suez.

No final do dia, as Tzahal alcançaram o canal e a sua artilharia continuou a batalha ao longo da linha de frente, enquanto a força aérea atacava as forças egípcias, que, em retirada, tentavam recuar utilizando as poucas estradas não controladas por Israel. No final do dia, os israelenses controlavam toda a Península do Sinai e, em seguida, o Egito, por intervenção da ONU, aceitou um cessar-fogo com Israel.

ISRAEL ATACA POR ACIDENTE UM NAVIO AMERICANO E ACABA ACEITANDO UM CESSAR-FOGO

Às primeiras horas do mesmo dia 8 de junho, Israel bombardeou acidentalmente o navio de guerra americano USS Liberty, ao largo da costa de Israel, que havia sido confundido com um barco das tropas árabes, algo que gerou muitas críticas, já que nenhum desses países árabes operavam embarcações de origem americana.

34 americanos morreram nesse ataque. Isso obrigou Israel a anteceder sua aceitação aos acordos de cessar-fogo pela ONU que resultaria em poucos dias.

ISRAEL DECIDE ATACAR O GOLÃ

Com o Sinai sob controle e com as tropas egípcias e jordanianas aniquiladas, Israel começou o assalto às posições sírias nas colinas de Golã, no dia 9 de junho, a Síria era o único país árabe a seguir na guerra, além de ser o país que mais causou baixas ao Exército de Israel, tanto nas tropas terrestres quanto na aviação.

Foi uma ofensiva difícil devido às bem entrincheiradas forças sírias e ao terreno acidentado. Israel enviou uma grande brigada blindada para as linhas da frente, enquanto a infantaria atacava as posições sírias.

A artilharia síria disparava pesadamente contra o Exército israelense, enquanto a infantaria síria realizava emboscadas constantes, causando várias baixas nas forças israelenses.

A Força Aérea Síria também seria a mais desafiadora contra a temida aviação israelense, conseguindo derrubar vários caças do país judeu, porém, a cada caça israelense abatido, ao menos 2 sírios tinham o mesmo destino.

Então já no dia 10 de Junho, Israel conseguiu controlar quase toda a região de Golã, com a exceção de uma pequena parte mais próxima do território sírio incontestado, onde as tropas de Damasco conseguiram frear o avanço israelense.

SÍRIA E ISRAEL ACEITAM O CESSAR-FOGO DA ONU.

Vendo que Damasco e nem Israel tinham condições de continuar os avanços em Golã, às 18:30 do dia 10 de junho de 1967, a Síria retirou-se da ofensiva e foi assinado o armistício, apesar dos soviéticos iniciarem um re-armamento ao estado sírio.

Era o fim da guerra nos campos de batalha e o início da guerra burocrática nas dependências da ONU, como tais países o assinaram. Mas alguns resultados se estenderam por anos posteriores

BAIXAS

A Guerra dos Seis Dias foi uma derrota quase que total para os Estados Árabes, que perderam mais de metade do seu equipamento militar.

A Força Aérea da Jordânia, por exemplo, foi completamente aniquilada logo no primeiro dia da entrada desse país na guerra.

Os árabes somados sofreram 15 000 baixas, a maioria de militares egípcios, com a Jordânia tendo ficado em “segundo lugar” nos que mais sofreram baixas, e com a Síria sendo o país árabe à ter sofrido menos baixas, mas mesmo assim sofreu muito mais baixas do que Israel.

Os árabes ainda perderam somados mais de 600 tanques, centenas de peças de artilharia e pelo menos 457 caças da aliança árabe foram destruídos pelos israelenses, além de terem tido 45 mil de seus soldados feridos pelos israelenses.

Já Israel teve quase 1000 de seus soldados mortos, a maioria tendo morrido em combate contra Damasco e Amã, além desses soldados mortos, Israel ainda perdeu 400 de seus tanques, praticamente 2 terços de toda a sua força blindada, no ar Israel perdeu 50 caças, a maioria abatidos pelos sírios e egípcios.

Israel também teve quase 5 mil de seus soldados feridos, além de ao menos 15 feitos prisioneiros, praticamente todos tendo sido capturados pelas forças de Damasco.

Israel começou a guerra com 264 mil soldados prontos para o combate, além de 600 tanques, 200 blindados leves, 300 caças e centenas de peças de artilharia.

Já as forças árabes possuíam 570 mil soldados ativos, 927 caças, 3000 peças de artilharia, 1500 blindados leves e aproximadamente 2600 tanques.

CONSEQUÊNCIAS DA GUERRA.

No dia seguinte à conquista da península do Sinai, o presidente Nasser do Egipto, resignou do cargo por causa da derrota (embora depois voltasse atrás na sua decisão). Contudo, esta derrota não mudou a atitude dos Estados Árabes em relação a Israel.

Em agosto de 1967, líderes árabes reuniram-se em Cartum e anunciaram uma mensagem de compromisso para o mundo: “não às negociações diplomáticas e reconhecimento do Estado de Israel”, que lhes havia causado um grande prejuízo.

Tal guerra amplificou muito a aversão do mundo islâmico ao estado de Israel, até países que nunca tiveram atrito com ele acabaram por cortar relações em definitivo com este, Assim praticamente todos os países árabes do mundo declaram Israel como seu inimigo central e como uma ameaça ao Islã.

Quanto a Israel, este obteve resultados consideravelmente muito positivos como consequência da guerra. As fronteiras sob controle eram agora maiores e incluíam uma parte das colinas de Golã, a Cisjordânia (“Margem Ocidental”) e a península do Sinai com controle dividido com os egípcios(exigência da ONU e dos EUA).

O controle de Jerusalém foi de considerável importância para o povo judeu que é maioria em Israel por causa do valor histórico e religioso, já que a cidade foi judaica há cerca de 2000 anos atrás, quando os romanos expulsaram os judeus.

Depois, com o passar dos séculos, Jerusalém esteve quase sempre sob o controle de grandes impérios, como o Bizantino, o Otomano e o Britânico, sendo que, apenas após a guerra, voltaria totalmente ao controle de um estado judeu.

FUGA EM MASSA DE PALESTINOS

Por causa da guerra iniciou-se a fuga dos palestinos das suas casas. Como resultado, aumentou o número de refugiados na Jordânia, Emirados Árabes Unidos e em países fronteiriços, principalmente o Líbano, que deixaria de ser a única nação de maioria cristã do Oriente médio.

O conflito criou 350 000 refugiados, que foram rejeitados por alguns estados árabes vizinhos. Tais refugiados viriam a constantemente atacar isoladamente e de forma localizada o estado de Israel nos anos seguintes, desde a Cisjordânia, Faixa de Gaza e até ao sul do Líbano. E resulta do apoio bélico de alguns países muçulmanos como do Iraque e do Irã(a partir dos anos 80) entre outros.

PAÍSES ÁRABES “PUNEM” OS APOIADORES DE ISRAEL E SURGE A OLP

Logo após o conflito, começaram ataques a países que deram apoio tático, bélico e financeiro ao Estado de Israel, tal qual teve início os ataques terroristas pelo mundo com o apoio da OLP, a estados como o americano, espanhol e inglês entre outros, além de inúmeros atentados terroristas em cidades israelenses.

Esses ataques deixariam muitas centenas de mortes, principalmente de cidadãos judeus(israelenses ou não).

Os países árabes ainda dificultariam acordos petrolíferos com o Ocidente, em especial com os países declaradamente pró-Israel, como os EUA e o Reino Unido. O árabes chegaram, inclusive, a mexer no preço do petróleo, afetando várias nações mundo à fora.

RESOLUÇÃO 242 DA ONU

Em Novembro de 1967, as Nações Unidas aprovaram a Resolução 242, que determinava a imediata retirada de Israel de territórios ocupados e a resolução do problema dos refugiados. Israel não cumpriu a resolução, alegando que só negocia a desocupação dos territórios se os estados árabes reconhecerem o estado de Israel, porém, aceitou dividir os controles dessas regiões com esses países vizinhos(devido à pressão americana).

Os líderes árabes em Cartum afirmam que a Resolução 242 não é mais do que uma lista de desejos internacionais. Uma crítica contra essa posição dos países árabes usada por Israel, reside no fato de os próprios árabes usarem a Resolução 242 como “arma legal” contra o Estado de Israel, sendo que nem mesmo eles a aceitaram por muitas décadas.

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