HISTÓRIAORIENTE MÉDIO

Matéria histórica: A Invasão turca contra o Chipre em 1974, e o surgimento de um novo país

No dia 20 de Julho de 1974, a Turquia iniciava uma invasão em larga escala contra o Chipre, que é um pequeno país no Mar Mediterrâneo. A Invasão foi ordenada após um golpe militar feito na Ilha com apoio da Grécia.

INDEPENDÊNCIA E COMEÇO DA GUERRA CIVIL:

Em 1955 cidadãos do Chipre pegaram em armas para lutarem contra a dominação britânica da Ilha, já que o Chipre era visto como uma colônia inglesa. Em resposta à isso, o governo inglês da ilha determinou o recrutamento de cipriotas de origem turca para fortalecerem as tropas coloniais, isso no entanto, não impediu a independência do país, que foi conseguida em 1959 nos acordos de Zurique e Londres. Em 1960 a independência foi declarada oficialmente, e o país virou membro da ONU e das Comunidades Britânicas.

Com a saída do Reino Unido do país, as tensões continuaram a crescer, com cipriotas gregos atacando cada vez mais os seus vizinhos de origem turca. Apesar disso, a constituição cipriota garantia vários direitos aos turcos cipriotas, como, por exemplo: a garantia do controle de até 40% dos cargos públicos do país.

Porém, esses direitos causaram um caos na política do país, com cada lado (turcos e gregos) vetando medidas um do outro, foi então que Em 1963, o presidente Makarios III propôs emendas à Constituição de 1960. Esta proposta, conhecida como “13 Emendas de Makarios” foi projetada para resolver o impasse institucional que persistia por vários meses.

As questões fiscais e o compartilhamento da administração das cidades, estavam em 1963, causando paralisia completa das instituições sobre estas questões. Os cipriotas gregos argumentaram que os complexos mecanismos introduzidos para proteger os interesses dos turcos eram obstáculos para um governo eficiente e, como tal, desenvolveram o Plano Akritas destinado a forçar todos os parlamentares cipriotas turcos do governo de modo a não perturbar os planos dos cipriotas gregos de Enosis.

Esta tomada de poder do presidente de Chipre contribuiu para as crescentes tensões entre as duas comunidades, levando a violentos confrontos intercomunitários, em dezembro de 1963. Este sangrento episódio bastante controverso em sua realização, certamente marca o fim das esperanças de uma coexistência pacífica entre as duas comunidades que estão constantemente separadas e competindo em uma luta fratricida.

GUERRA CIVIL:

Em 1964 as duas comunidades iniciaram a guerra civil que custaria muitas vidas ao país, com a Grécia enviando armas e equipamentos para o governo cipriota-grego, e a Turquia enviando as mesmas coisas para os grupos de cipriotas-turcos.

Os confrontos foram intensos, com as tropas turco-cipriotas sendo massacradas na maioria dos combates, deixando um saldo de mortes cada vez maior.

Face à gravidade dos confrontos, as Nações Unidas decidiram através da Resolução 186 do Conselho de Segurança de 1964, enviar um contingente de boinas azuis para interposição entre as partes.

A Força das Nações Unidas para a Manutenção da Paz no Chipre, efetivamente reconhecendo os cipriotas gregos como o governo.

Em 1964, o primeiro-ministro britânico, Sir Alec Douglas-Home, se reuniu com o procurador-geral estadunidense, Robert Kennedy para explicar por que a intervenção internacional era necessária afirmando que “se eles não tivessem feito isso, teria ocorrido provavelmente um massacre dos cipriotas turcos” que foram confinados em enclaves, totalizando pouco mais de 3% da ilha.

A Guerra civil terminaria com as mortes de ao menos 180 cipriotas gregos, e 400 cipriotas turcos.

GOLPE DE ESTADO:

As coisas começaram à se acalmar no país, com as forças da ONU conseguindo manter a paz na maior parte do tempo, porém, a paz não chegou à voltar ao país de forma total, com alguns confrontos esporádicos acontecendo quase que diariamente. No entanto, bem longe de parecer com as grandes e sangrentas batalhas que ocorreram durante as fases mais tensas da guerra civil.

Porém, em 1974, a junta militar que comandava a Grécia, chamada de Ditadura dos Coronéis, financiou, armou e apoiou um golpe militar para tirar o presidente Makarios do poder, o golpe foi liderado por militantes cipriotas armados e pela Guarda Nacional do Chipre. O presidente Makarios acabou fugindo do país para o Reino Unido.

Então em 15 de Julho de 1974, subiu ao poder o nacionalista pró-unificação com a Grécia, Nikos Sampson. Nikos comandaria o país como um ditador.

O golpe fracassou porque o novo presidente Nikos Sampson, permaneceu no poder apenas nove dias, entre 15 e 23 de julho. Em 19 de julho de 1974, diante do Conselho de Segurança da ONU, Makarios acusou a Grécia de liderar uma invasão ao Chipre.

Essa acusação  viria a “legitimar” a intervenção da Turquia, sob o pretexto do Tratado de Garantia, assinado em 1960 seguida pela Operação Átila.

Em 17 de julho a OTAN exigiu a retirada dos oficiais gregos e o retorno de Makarios ao poder. Este, dirigiu-se da base britânica de Acrotiri em Londres, onde tentou em vão obter ajuda do Reino Unido, signatário do Tratado de Garantia.

Seu pedido foi afinado pelo primeiro-ministro turco Bülent Ecevit que exigiu os britânicos a ficarem do lado turco.

Em 18 de julho, Joseph Sisco, subsecretário estadunidense, recebeu o primeiro ministro Ecevit na embaixada dos Estados Unidos na Turquia na qual manifestou a sua pretensão de derrubar Sampson para proteger os cipriotas turcos na ilha.

COMEÇA A INVASÃO TURCA:

Em 20 de Julho de 1974, a Turquia iniciou a Operação Átila para invadir o Chipre e derrotar o governo nacionalista pró-grego do país.

A Turquia desembarcou cerca de 10 mil de seus soldados no norte do país na qual foram recebidos com entusiasmo pela população turco-cipriota, porém, foram atacados com táticas de guerrilha por cipriotas gregos que viviam na região. Essas ações resultaram em vários soldados turcos mortos.

O Exército turco enviou mais 30 mil militares ao país, somando 40 mil soldados turcos que contavam com o apoio de ao menos 20 mil cipriotas turcos.

O Exército do Chipre era muito menor, contando com apenas 5 mil soldados profissionais, 2 mil militares gregos e milhares de civis cipriotas gregos armados.

A guerra terminaria em Agosto de 1974, com a turquia controlando o norte do Chipre, cerca de 38% do país e devido à isso, todos os cidadãos cipriotas de etnia grega foram expulsos do norte. Em resposta à isso, todos os cipriotas turcos do resto do país foram expulsos para o norte da ilha.

Apesar de ter vencido, a guerra foi considerada como um desastre para a Turquia, que perderia centenas de soldados, dezenas de tanques e outros veículos, além de pelo menos 20 aeronaves, entre caças, helicópteros e aviões de transporte.

SEGUE ABAIXO OS NÚMEROS OFICIAIS DE BAIXAS NA GUERRA.


Cipriotas turcos: 350 mortos e 1.000 feridos.

Exército turco: 500 mortos, 1.200 feridos, 70 veículos entre tanques, caminhões e jipes destruídos e 20 aeronaves destruídas.

TOTAL: 850 mortos e 2.200 feridos.


Chipre: 309 mortos e 1.124 feridos.

Grécia: 88 mortos e 148 feridos.

TOTAL: 397 mortos e 1.289 feridos.


A invasão turca então terminou na partição do Chipre ao longo da Linha Verde monitorada pela ONU, que ainda divide o Chipre. Em 1983, a República Turca do Chipre do Norte (RTCN) declarou a independência, embora a Turquia seja o único país a reconhece-la.

Os Estados Unidos e a OTAN apoiaram a ideia de uma intervenção militar turca. Os conflitos entre as comunidades gregas e turcas na ilha que precederam a invasão, tinham levado a Grécia e a Turquia (dois membros da OTAN) à beira de uma guerra total em várias ocasiões entre 1963 a 1974, um confronto mais grave foi impedido pela mediação de última hora do presidente dos EUA, Lyndon Johnson, em 5 de junho de 1964.

O lado grego, tradicionalmente pró-EUA, culpou a administração do presidente Richard Nixon e, em particular, Henry Kissinger, por apoiar a Turquia antes e durante a invasão militar turca, na sequência de uma decisão do Conselho de Segurança Nacional dos EUA em maio 1974 para trazer um fim a questão do Chipre.

A ONU e todas as demais nações do mundo, reconhecem apenas o governo do Chipre (parte sul) como soberano, reconhecendo o território do norte do Chipre como território legitimo do Chipre.

TENSÕES ATUAIS:

Atualmente, a Turquia afirma abertamente que irá explorar o gás e o petróleo da costa do Chipre, mais especificamente do Norte do Chipre. Plataformas móveis de exploração de gás turco já operam na região com a escolta de caças e navios militares turcos.

A Turquia afirma que tem o direito sobre essas áreas, que seriam seu território, o governo turco já deu à entender em várias ocasiões que poderá atacar o restante do Chipre para “Assegurar os interesses do povo turco na região”.

O presidente Erdogan ordenou uma maior mobilização de tropas no norte do Chipre, onde posicionou inclusive tanques, obuseiros e artilharias autopropulsadas.

A ONU, a União Europeia e a OTAN já alertaram contra uma ação militar turca ao Chipre na parte sul.

CG ADM

Olá caros leitores! Meu nome é Hericson, mais conhecido por vocês como CG_ADM. Sou o fundador da rede de noticia militar, Conflitos e Guerras. Espero poder está sempre ao lado de vocês provendo noticias de qualidade.

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