Número de turistas em Cuba desaba e a economia do país sofre após bloqueio de Trump.

Para a frágil economia cubana, a recente decisão de Trump de proibir que empresas americanas de cruzeiros que ano passado transportaram 18% dos turistas que chegaram na ilha atraquem em portos cubanos e de eliminar a famosa modalidade de turismo “povo a povo”, usada por mais da metade dos 640 mil americanos que visitaram o país em 2018, é um golpe ainda difícil de medir, mas duro. De acordo com as empresas de cruzeiros, a proibição afetará cerca de 800 mil reservas no primeiro ano, o que compromete a meta que Cuba tinha definido para alcançar cinco milhões de turistas em 2019.

Doze das 17 linhas de cruzeiro que operavam em Cuba faziam escala em Havana. E no centro histórico, onde o setor privado é forte, neste sábado parecia que uma bomba havia caído. Dos cem paladares (restaurantes privados) e mais de 300 cafés que operam, a maioria trabalhava em marcha lentíssima. Os passageiros de cruzeiros desembarcavam em frente à Lonja de Comercio, o edifício do antigo mercado, e desciam pela rua Obispo até o Floridita, verdadeiro termômetro do turismo na capital: não tomar um daiquiri no bar onde Hemingway costumava beber e que o tornou famoso é como não ter visitado Havana. Antes o Floridita andava lotado, mas hoje há muitos lugares e mesas vagos. Garçons calculam que o golpe é de 50% ou mais. A poucos metros de distância, no Parque Central, uma longa fileira de carros americanos conversíveis dos anos 50 espera os clientes, mas sem muita esperança.

Leia também: EUA impõe novas sanções contra Cuba, dessa vez proibindo cruzeiros turísticos para a Ilha

No ano passado, 4,7 milhões de turistas chegaram à ilha, dos quais 800 mil vieram em cruzeiros.

Na atual conjuntura, quando a escassez de produtos básicos é cada vez maior e, devido à instabilidade na Venezuela, começam a ser adotadas medidas drásticas para economizar combustível e eletricidade em centros estatais, cada dólar conta. Mas a saúde econômica de Cuba é mais do que delicada não só por causa da situação crítica em Caracas, de onde provém a maior parte dos carregamentos de petróleo a preços preferenciais.

Este ano a safra de açúcar foi de apenas 1,3 milhão de toneladas, uma das piores em 120 anos de História. A perda de US$ 400 milhões (R$ 1,555 bilhões) por ano a partir da exportação de médicos para o Brasil, acordo cancelado pela eleição de Jair Bolsonaro, foi também um duro golpe, ao qual se somam a entrada em vigor da Lei Helms-Burton, que visa desencorajar os investimentos em Cuba, e as crescentes pressões de Washington sobre o sistema financeiro internacional para dificultar operações com a ilha. A ineficiência e os males estruturais da economia cubana completam esta tempestade perfeita, que coloca a ilha novamente diante de um horizonte de dificuldades.

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.